10 junho 2011

Criminosa


Eu não queria acabar com a vida dele. Eu sei que isso não era o certo. Mesmo ele tendo feito o que fez comigo. Eu não consigo parar de pensar nisso. Não estou conseguindo mais dormir. Eu preciso fugir, me esconder. Estou com medo. Estou chorando. Só de pensar no que pode acontecer comigo agora.
Eu tirei uma vida quando peguei aquela arma e atirei. Poderia ter sido o filho de qualquer pessoa. E se alguém tirasse a vida de um filho meu assim? O que eu faria?

Ontem pela manhã...

Estava na venda da minha mãe
E conversei com todos da vizinhança
Sorri e beijei dona Mirna, minha madrinha
Passei na banca de cocos do seu Tomé
Depois sai com meus primos e sobrinhos para dar uma volta e jogar bola na praia
Todos parecem gostar muito de mim.

À noite...
Fui a uma festa na casa do Marcel
Muita música
Libertei-me na dança
Foi nesse momento que ele surgiu
Com seu sangue quente
Passando minhas mãos em seu corpo
E me segurando contra a parede
Esnobei e resolvi sair e respirar
Ele não desistiu
Não abandonou a presa fácil
Ele me seguiu
Ele me segurou fortemente
Ele me machucou
Meus golpes contra ele não adiantavam
Estava com raiva
Estava com medo
Estava chorando
A vítima indefesa foi violentada.

No auge da minha raiva e do meu ódio corri para casa e peguei a arma que guardo na gaveta, aquela que era do papai. Oh, mamãe eu atirei em um homem na estação de trem. O que eu faço agora? Eu não queria matá-lo, mas agora é tarde demais. Eu não sei o que houve comigo. Preciso deixar a cidade. Porque puxei aquele gatilho? Agora vou enlouquecer, não terei mais paz. Agora sou uma criminosa. Oh Senhor, tenha misericórdia de mim. Estou com medo. Sou uma criminosa! Misericórdia Pai!



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